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Expectantes

Expectantes

¨Aqueles que esperam observando,

que ficam na expectativa.¨

Expectantes somos todos nós, brasileiros da maioria silenciosa, que votou por transformações político-culturais e que acompanha o desenrolar dos acontecimentos na atividades do Congresso Nacional, no movimento dos grupos econômicos, na resistência passiva de organizações corporativas as mudanças pretendidas, na violência planejada e no deliberado desrespeito às leis e instituições em confrontos provocados.

Vivenciamos o desenrolar do processo cultural onde a efervescência dos acontecimentos são indicadores do surgimento de uma nova consciência nacional, onde o brasileiro anônimo espelhado por todo o nosso imenso território, ora acusado de não saber votar ou ainda de ser ignorante quando vota contra oposições, tem se mostrado dono de extrema argúcia política, notável sabedoria e uma aguda percepção intuitiva do nosso futuro.

Mesmo sujeito às manipulações articuladas nas diversas mídias, onde grupos sociais organizados, sejam eles políticos, religiosos ou econômicos, arregimentam rebanhos humanos preferencialmente passivos e impessoais, para por suas próprias vontades e visões do mundo, o povo como um todo, já encontrou, pelo voto, na Imprensa livre e na democracia plena, a postura espiritual quebrou dois mudanças profundas e irreversíveis.

Expectantes também de nossa própria existência como Nação, devemos ampliar em nível nacional discussões sobre a nossa visão cultural, não só para preservar nossa sobrevivência como País em gerações futuras, como, principalmente, para forjar uma sólida e revigorada identidade nacional.

Atentos aos ventos globalizantes das economias e aos fenômenos de comunicação em redes mundiais, já irreversíveis e que poderão ser constituir, em tempo muito curto, em novas formas de colonialismo, devemos construir um novo projeto político, não apenas ancorado na vertiginosa aquisição das novas tecnologias ou na recepção dos nossos segmentos econômicos em mercados mundiais, mas baseado em nossa multiplicidade cultural.

A cultura, em todas as suas formas e manifestações, é o elemento que de fato, caracteriza a alma de um país, na medida que os resultados do que se cria, no fazer dos artistas, atletas, intelectuais e cientistas, projeta uma imagem global dinâmica, que retorna em forma de benefícios comerciais e boa vontade diplomática.

Considerando, mesmo num cenário ideal, que todos os desejos expressos pelo povo através do voto se tornassem factíveis em brevíssimo tempo, estaremos sempre longe dos países que alcançaram o estágio de bem-estar social ele desenvolvimento tecnológico pleno, pois seus processos de vida não param.

Assim sendo, é viável repensarmos o projeto Brasil de forma realista e criativa aglutinando as forças culturais da Nação, num esforço para estabelecer de forma consciente uma imagem do País que a atraia benefícios para nossa coletividade em que represente, de fato, a conquista uma nova identidade nacional da qual nos sintamos orgulhosos, longe das inferiores qualificações terceiro-mundistas que se nos impõem.

Sejamos expectantes de renovadas realidades, conscientemente admitidas criadas.

Nossa identidade espiritual única se reflete no fazer artístico de muitos milhares. Está rico e original no folclore, no canto repentista do nordeste, no cinema que mostra nossa alma, na música e ritmos que encantam o mundo, na majestade dos desfiles de carnaval, no fantástico e guerreiro balé do futebol. Torna-se grandiosa no traço do arquiteto tece futuros na as vigílias das pesquisas científicas. É perceptível no manipular do barro do mais humilde artesão ou no mover-se do pincel do anônimo artista. Está na moda, na arquitetura, nos objetos, nas falas e sonhos de todos nós.

Para que é a cultura, em todos os seus aspectos, formas e manifestações venha a se constituir em força espiritual plena, torna-se necessário, além da conscientização nacional para o tema, um conjunto de esforços visando criar no sentir povo em meio empresarial uma convicção da riqueza que os atos culturais representam, e os imediatos e palpáveis resultados que o aumento de incentivos fiscais para os artistas, atletas, intelectuais e pesquisadores científicos proporcionam ao País. Urgente não só ampliar as faixas de benefícios fiscais existentes nas diversas esferas governamentais, como é absolutamente vital facilitar o acesso a esses recursos, retirando as barreiras formadas por entidades que intermediam verbas e comissões examinadoras de projetos, que, na prática, podem se constituir em violação constitucional na medida que tem poderes de vetar sua realização, quando não possam representar, eventualmente, segmentos políticos que impedem a manifestação cultural de opositores.

No que se refere às elites dirigentes empresariais notadamente, é crucial a compreensão da necessidade de uma ativa participação no processo cultural do País, contribuindo para a realização de todas as atividades artísticas, intelectuais e científicas, independentemente do imediatismo de retornos publicitários. O empresariado tem um compromisso social a cumprir, não podendo agir como predadores em campo de caça, só avisando a auferir benefícios diretos para si e deixando de agir com vistas a elevação espiritual da população que o sustenta.

Seremos assim futuros expectantes de auspicioso porvir. Não mais aflitos e temerosos pela possibilidade da castração de vontades coletivas legítimas por entidades e grupos interessados no domínio de corações e mentes nas prisões dois seus dogmas políticos e religiosos.

Vamos todos libertar a arte que flui no nosso interior, presente em todos os nossos atos, desde o mais simples ao mais elaborado. Plenos de magia, criadores e divinos em suas essências.

Do nosso presente e dos nossos futuros somos estamos expectantes.

Holoassy Lins de Albuquerque

1996

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